Relato da Academia Betânia de Artes Marciais.
Professor Hermann Santos foi convidado por uma editora evangélica da América Latina, a responder algumas perguntas sobre os “cristãos nas artes marciais”. Após contato telefônico, a repórter se apresentou, confirmou ter nos encontrado através do site da Igreja Batista Betânia, pediu uma explanação sobre a condenação de muitos cristãos a pratica das Artes Marciais e o trabalho de evangelismo através delas; alguma história de salvação e inserção no mercado de trabalho através da luta, para ser enviado para publicação. Sendo assim vieram as perguntas.
Repórter: Professor Hermann Santos, apresente-se aos jovens da revista: Idade, graduação, tempo de profissão, tempo que pratica e se formou nos esportes que ensina?
Prof. Hermann: Olá jovens leitores da revista “evangélica da América Latina” (Nome fictício).
Nome: Hermann Santos, 50anos, faixa preta 2º grau de Jiu-Jítsu, Faixa marrom de Judô, professor de submission, luta olímpica estilo livre e Greco, ministro aulas a cerca de quinze anos.
Atleta de Jiu-Jítsu com os seguintes títulos: Tricampeão Internacional, Pentacampeão Brasileiro, Campeão da Taça Cidade de Niterói, Campeão da Taça Condor e varias vezes Campeão Estadual, com resultados nas categorias de peso e absoluto, (peso livre) entre outros.
Repórter: O trabalho realizado hoje através da Igreja Batista Betânia é considerado um Ministério? Qual é o nome do projeto / academia?
Prof. Hermann: Dentro do Ministério dos Esportes somos o departamento de Lutas Marciais, com o nome de ACIBBAM, (Academia Igreja Batista Betânia de Artes Marciais).
Repórter: Como e quando começou?
Prof. Hermann: O projeto começou quando um amigo de treino que trabalhava com Judô para surdos na Guarda Municipal do Rio de Janeiro, convidou-me para ministrar aulas de jiu-jítsu, um dia vago em minha agenda, para surdos na Igreja Batista Betânia , próximo à minha residência; daria á aula inaugural. Pertencia ao mundo secular, fugia de tudo que fosse ligado a “igreja de crente”, mas de tanto que ele insistiu me vi obrigado a doar um dia de minha semana para fazer o trabalho. E em 1 de setembro de 2000, sábado ás 16:00 horas inauguramos. O trabalho seria dividido com mais quatro professores, que ao longo do projeto não puderam honrar com o compromisso, e tive que assumir sozinho o trabalho com cerca de (103) cento e três alunos, divididos por faixa etária desde crianças até seniores.
Repórter:Quais são os objetivos (sociais e espirituais) do trabalho?
Prof. Hermann: Os objetivos são:
a) Social: Educar, Incluir e Integrar através do Esporte, crianças, jovem e adulto. Afastando-os das ruas e conseqüentemente das drogas, iniciando à formação de um bom caráter e de um verdadeiro cidadão. É o interesse maior de nosso trabalho social.
b) Espiritual: Desenvolver fisicamente o corpo, (pois é o templo do Espírito Santo), Capacitar a mente para o entendimento da vontade de Deus, Ensinar que só Jesus é o caminho para a salvação. “Canalizar valores coerentes a uma prática de vida Cristã”.
Repórter: Em qual comunidade vocês atuam?
Prof. Hermann: Atuamos nas comunidades da Vila João Lopes, antiga Minha Deusa, Jardim Novo, COHAB, Sobral e comunidades adjacentes.
Repórter: Como é trabalhada a espiritualidade e pregação do Evangelho na academia?
Prof. Hermann: Trabalhamos a espiritualidade na academia com:
*Com o uso de pathes de atletas de Cristo, com os dizeres: Crê no Senhor Jesus e serás salvo tu e teu dojo, (local de treino), costurado em cada quimono (uniforme para pratica).
* No inicio de cada treino com o rei-hô (cumprimento ou saudação dos atletas com o professor), agradecemos a Deus por tudo que somos e tudo que temos, por cada vida, pelo local que treinamos e pelo irmão de treino, cada um do seu jeito, porem todos juntos.
*Ao final de cada treino a oração é direcionada por um Pastor ou um membro da igreja ou um Irmão em Cristo e pelo menos uma vez por mês, convidamos pastores e ou pregadores de outras congregações para trazer uma palavra aos atletas.
*Na consagração das medalhas conquistadas em competições de alto rendimento nos cultos de Domingo pela manhã e, por conseguinte os pais, atletas, familiares e amigos vêm a igreja nesse dia, apresentar e consagrar suas medalhas e acabam por participar do culto, ouvem a palavra ministrada pelo nosso Pastor Neil Barreto e assim o Espírito Santo de Deus começa a obra pelo ouvir e ouvir a palavra de Deus.
Repórter: Como vocês usam o esporte e esse tempo com os jovens e adolescentes carentes para evangelizar?
Prof. Hermann: Trabalhamos os valores humanos, o relacionamento, a Cooperatividade e a alta estima. *Valorizar sempre o ser humano e não a pratica pela pratica.
*Promover debates palestra sobre temas como: drogas, sexo, doenças infectocontagiosas, sessões de filmes motivacionais, canções e louvores, interpretados por jovens do meio evangélico.
*Aprender a disciplina pertinente do judô e Jiu-Jitsu, a respeitar o oponente e perder a luta sem perder a auto estima.
*Agradecer a Deus sempre por todos os resultados alcançados e pedimos que nos faça sempre campeões no pódio da vida com Jesus.
*Meditamos sobre as maravilhas de Deus a cada participação e resultado.
Repórter: Quantos alunos já passaram pela academia e quantos há atualmente?
Prof. Hermann: Cerca de mil e duzentos alunos passaram pela academia. Hoje participando e matriculados cento e vinte alunos. (crianças, adolescentes, adultos e melhor idade).
Repórter: Ao longo desse projeto houve muitos frutos – jovens que, através do trabalho realizado, hoje tem uma profissão e o mais importante – a Salvação. (O senhor mencionou um Prof. Ed. Física e um Sargento) É possível nos passar esse contato para que eles dêem uma declaração testemunhando a importância desse trabalho em suas vidas?
Testemunhos:
Victor Graciano & Hugo Henrique.
Anselmo Timóteo & Felipe Mercadante
Gabriel dos Santos
Repórter: O senhor mesmo é um desses frutos. Em poucas palavras, conte como esse ministério o levou a sua conversão?
Prof. Hermann: Com o projeto a todo vapor, não demorou e algo diferente começou a acontecer na minha vida e da minha família, uma vez que todos, (esposa e três filhos) participavam intensamente do projeto como alunos e apoio geral, neste caso esposa. As orações a cada treino, a consagração de medalhas, ouvir a palavra nos cultos dominicais, sempre me incomodavam, os louvores, os apelos, os testemunhos foram como anestesia para as dores da alma, e em junho de 2006 Jesus Cristo nosso Senhor e Salvador nos deu para vida com abundancia e descemos as águas, eu e minha esposa! Seguidos por dois de nossos três filhos.
Repórter: O senhor também mencionou das dificuldades de “perder” alguns jovens ao longo desses anos de trabalho. Como foram essas “perdas” e como lidou com elas para que o trabalho não acabasse?
Prof. Hermann: São varias as histórias de salvação através da pratica de lutas em nosso caso o Jiu-Jitsu e o Judô, porém ocorreram “perdas” para as drogas e para o tráfico. Foi muito difícil lidar com isso, sofri me senti culpado e quase desisti. Buscando por uma explicação que me convencesse, ouvi a palavra de Deus através do meu Pastor Neil Barreto e o Espírito Santo restaurou minha fé. “Não lamente a perda de quem não quis a salvação; celebre pelas vidas que estão gritando por vida”.
Repórter: Muitos cristãos condenam a prática de artes marciais, condenam, inclusive, o trabalho de evangelismo através delas. Existe alguma filosofia pagã, idolatria ou conceitos budistas e diabólicos nas artes marciais?
Prof. Hermann: Não. Existe um equivoco entre a comunidade evangélica por falta de conhecimento á pratica desportiva, a filosofia, a historia e o regulamento pertinente ao especifico desporto, sendo assim o preconceito , a perseguição e a proibição, vêm através da ignorância. No judô existe um cumprimento que diz respeito ao fundador da arte, ao professor presente e aos alunos, como é feito em toda sociedade. Algumas pessoas pensam que esse cumprimento é uma reverencia a uma imagem, pura falta de conhecimento. Em nossa academia é feito o cumprimento ao professor e aos alunos, sempre no inicio, termino, toda vez que for preciso sair e retornar ao dojo (local de treino).
Repórter: Como esse ministério lida com o preconceito existente por parte dos cristãos?
Prof. Hermann: Geralmente convidamos para uma participação em nossas atividades lúdicas, ou participar levando uma palavra aos jovens, e ou participando com seu ministério em nossa cerimônia de entregas de faixas e encerramento de mais um ano letivo, onde levamos ao templo todos os atletas, familiares e convidados que no caso das crianças levam consigo no (mínimo três pessoas), professores de outras academias e órgãos regulamentadores do esporte, (Federações e Confederações). Este ano cerca de seiscentas e cinqüenta pessoas, sendo que noventa por cento dos convidados não são evangélicos; assistiram á atrações teatrais, monologo, trupe de palhaços e ministração da palavra com o tema: Cuidado com as amizades. E a semente fica plantada inclusive no evangélico preconceituoso que tem a chance de refletir e mudar, O Imutável Mudou. (Tiago 1:17)
Repórter; E há preconceito também por parte dos jovens pelo fato do treinamento ser numa academia da igreja? Como vocês lidam com isso?
Prof. Hermann: Não. A academia não sofre nenhum preconceito e nem eu; sendo um professor especial, em 1979 em um acidente moto ciclístico, adquiri deficiência motora no membro inferior direito (sem flexão de joelho e pé), mesmo assim sou competidor com títulos Mundiais, Brasileiro e Estadual. Luto com pessoas sem deficiência. E não sofro nenhum tipo de preconceito no mundo das lutas e nas academias.
Repórter: Há um reconhecimento externo desse trabalho (prêmios, vitória em campeonatos, o projeto ser apoiado pelo governo, virar tem de tese de dourado, etc.)? Fale sobre essas conquistas que confirmam a credibilidade e seriedade do trabalho?
Prof. Hermann: Ganhamos diversos troféus como equipe ao longo destes anos no Estado e fora do Estado. Temos um aluno que, nos representará nos Emirados Árabes disputara o Abu Dhabi Pró. Somos material de pesquisa para a estudante de doutorado, Rivers Jessica. Departamento de Comunicação e Cultura, Indiana University, Bloomington, Indiana, EUA. Surprisingly predictable: How BrazilianJiuJitsuevangelicalworkin their services. Surpreendentemente Previsivelmente: Como brasileiros evangélicos Trabalham o Jiu-Jitsu em seus cultos. Por Rivers Jessica.
(International Journal of Religion and Spirituality in Society, Volume 1, Issue 3, pp.1-16. Artigo: Impressão (Spiral Bound). Artigo: Electronic (Arquivo PDF; 797.314KB). Rivers Jessica).
Ao final da entrevista a repórter: Peço que o senhor nos envie seu endereço para assim que a revista for publicada, um exemplar lhe seja entregue como cortesia e gratidão por sua colaboração. Mais uma vez, muito obrigada pela sua colaboração. O Senhor Jesus continue os abençoando rica e abundantemente!
Alguns dias após a entrevista: Recebemos a seguinte resposta por telefone: Infelizmente a matéria caiu, pois é muito polêmica e pode causar mal estar entre nossas congregações no Brasil.
Qual foi a nossa resposta?As palavras se tornam medíocres perante o testemunho de vida e dos ensinamentos de Jesus. Jesus não tem moldes e não pode ser encaixado em nenhum padrão social e doutrinário.
Autor da frase:Pr.Neil Barreto.

















